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FIDA, IICA e Semear Internacional capacitam 70 pessoas para o uso de Cadernetas Agroecológicas

Terminou nesta sexta-feira (05) o Seminário Semear Internacional-FIDA de Capacitação para uso das Cadernetas Agroecológicas, reunindo cerca de 70 pessoas que foram preparadas para conduzir as Cadernetas em todos os projetos que o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) apoia no Brasil. Além da formação, o Seminário marcou o lançamento da cartilha “Mulheres que florescem o semiárido nordestino”, a nova publicação do programa que traz experiências e a luta de mulheres (individuais e coletivas) para terem seus trabalhos reconhecidos e valorizados no semiárido.

Ainda na abertura do evento, representantes do Centro de Tecnologias Alternativas (CTA) de Viçosa-MG, da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e do Programa Semear Internacional que, junto com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), está responsável pela implantação das Cadernetas, participaram da mesa de abertura. A coordenadora do Semear Internacional, Fabiana Viterbo, deu as boas vindas a todos e todas.

Após a distribuição da publicação, que já está disponível no site do Semear Internacional através deste link, seguiu a programação da capacitação que se estendeu pelos próximos três dias. Dona Adilma Fernandes, agricultora do estado do Ceará, não escondeu o orgulho de ver seu projeto na cartilha “Mulheres que Florescem o Semiárido Nordestino”. “É muito bom ver nosso trabalho registrado e muito bom também ver a experiência de outras mulheres e saber que a gente não está sozinha. Dá muito orgulho”, disse.

A reitora da UFRPE, Maria José de Sena, também ressaltou a importância da participação da mulher na agricultura. “Com elas, temos a certeza é a segurança de que o alimento que consumimos tem nutrientes e nos faz bem”. Já a coordenadora do grupo de trabalho de mulheres da ANA, Elisabeth Cardoso, destacou a necessidade do empoderamento feminino nestes processos. “Se costuma dizer que sem feminismo não há agroecologia, mas vou além; sem feminismo não há convivência com o Semiárido”, exaltou.

A capacitação foi iniciada com uma apresentação geral do uso das cadernetas agroecológicas, seguindo a programação com diferentes momentos, como a utilização da ferramenta na prática, lições de como preencher a Caderneta, compartilhamento de experiências, tirando dúvidas e apresentando ideias e soluções umas às outras. A definição dos próximos passos e um planejamento estratégico marcou o último dia de capacitação, que abordou também a sistematização do fluxo de informações que as cadernetas vão gerar, principalmente para as assessoras técnicas que trabalham diretamente com as produtoras, acompanhando o seu dia a dia.

“Estamos juntas e juntos construindo caminhos e instrumentos que nos possibilitem visibilizar, conhecer e sistematizar a contribuição econômica, ecológica, social e cultural das mulheres rurais para a economia familiar, para a segurança e soberania alimentar, a agroecologia e para a vida”, disse a gerente de Gestão do Conhecimento, Aline Martins.

O evento foi uma realização do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agricola (FIDA) e Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), através do Semear Internacional.

As cadernetas

A caderneta agroecológica é um instrumento que tem como principal objetivo contribuir para o monitoramento da renda monetária e não monetária das mulheres rurais, a partir do trabalho protagonizado por elas na propriedade. A Caderneta Agroecológica (CA) foi elaborada pelo Centro de Tecnologias Alternativas na região de Zona da Mata em Minas Gerais (CTA/ZM), em diálogo com o Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia – ANA, com vistas a ser de fácil apropriação pelas agricultoras.

O instrumento foi experimentado pela primeira vez no contexto do Programa de Formação em Feminismo e Agroecologia em 2013 pela organização não governamental CTA. Depois foi utilizada mais uma vez entre 2013 e 2015 pelo GT Mulheres da ANA a partir de um projeto nacional financiado pela União Européia em todas as regiões do Brasil que teve como eixo central a realização de um Programa de Formação “Feminismo e Agroecologia.”

Por meio da caderneta, as mulheres podem contabilizar o quanto investem e o quanto lucram com a produção agrícola no roçado e em casa. Com os resultados é possível observar o aumento na renda das mulheres, criando autonomia e independência, e fortalecendo o processo de respeito e inclusão das produtoras rurais.

Reportagem:

Diovanne Filho e Tell Aragão