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Semear Internacional apresenta resultados dos estudos COVID-19

19/07/2021

Na última quinta-feira, dia 15 de julho, o Programa Semear Internacional apresentou os resultados de duas pesquisas inéditas, em um evento online batizado de “COVID-19 e os impactos no semiárido brasileiro – Como as mulheres rurais e os sistemas agroalimentares do semiárido estão sendo afetados”. Realizadas neste ano de 2021, as pesquisas envolveram o universo dos seis projetos atendidos pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) no Brasil. No caso do estudo acerca dos impactos da pandemia sobre as mulheres, coordenado pela pesquisadora e doutora em Ciências Sociais, Ariane Favareto, a amostra foi de 336 agricultoras e 30 técnicas dos projetos. Já em relação ao estudo que mede tais efeitos nos sistemas agroalimentares, que ficou a cargo de Rodica Weitzman, consultora do FIDA e doutora em Antropologia Social, foram 112 pessoas, entre agricultores e agricultoras, técnicos e técnicas, gestores e gestoras.

Quatro grandes temas de análise foram considerados: trabalho e renda; saúde e relações familiares; violência contra mulheres e crianças; e segurança alimentar e nutricional. As pesquisas apontaram, por exemplo, que 74% dos entrevistados avalia que houve diminuição da renda familiar durante a pandemia, contra 7% que afirma um crescimento dessa renda, em razão dos novos canais de comercialização. Foi observado que, antes da pandemia, a renda média era de R$ 1.053,00, tendo decrescido hoje para R$ 810,00, ou seja, uma queda de 30%. Dentro do universo dos beneficiários, 69% acessou o auxílio emergencial fornecido pelo Governo Federal e 97% informou que houve aumento nos gastos durante a pandemia, principalmente com alimentação, energia, gás de cozinha, água e medicamentos. Outras três fontes de rendas principais foram, nessa ordem, o Bolsa-Família, a aposentadoria e a agricultura familiar.

Entre as mulheres entrevistadas, 26% desenvolveu algum tipo de doença, como estresse, ansiedade, depressão, dores musculares, síndrome do pânico e sequelas da COVID-19, mas apenas metade delas conseguiu atendimento médico-hospitalar. Numa relação analítica direta com o Novo Coronavírus, 56% delas teve, pelo menos, uma pessoa próxima contaminada, e 95% delas afirmou que pretendia se vacinar. Ainda com relação às camponesas, no tocante ao labor remunerado, 29% iniciou outras atividades ao longo a crise pandêmica, sobretudo com trabalhos não-agrícolas, como artesanato e confecção de bolos, doces e marmitas. Como as feiras livres convencionais sempre foram o principal canal de comercialização, um quarto das mulheres rurais se manteve sem realizar a venda de seus produtos ao longo da crise sanitária, apesar de os negócios pela Internet terem ganhado espaço – 28% considera que houve melhora nos canais de comercialização.

As primeiras fases dos estudos foram compostas de diagnósticos elaborados em conjunto com pessoas-chave dos seis projetos apoiados pelo FIDA. Para isso, foram feitas uma revisão documental envolvendo materiais diretamente produzidos pelos projetos, entrevistas bilaterais e eventos virtuais, com o intuito, estes últimos, de ouvir três públicos-alvo principais: beneficiárias e beneficiários dos projetos; consultoras, técnicos e técnicas dos projetos; e gestoras e gestores públicos. Ao todo, foram realizados cinco webinários, com participação de 112 pessoas, conforme relação com a identificação do público mobilizado para cada evento online. Tal quórum teve a seguinte distribuição: 41 agricultores e agricultoras, 45 técnicos e técnicas e 26 gestores e gestoras. Uma última etapa ainda está prevista para o encerramento deste projeto, que é a publicação das pesquisas completas, em formato de eBook (livro virtual).

Ambos os estudos tiveram o objetivo de propor possíveis soluções que inspirem e apoiem os governos locais a gerenciar a crise da agricultura familiar e impedir que seu prolongamento leve a uma crise alimentar generalizada. Afinal, além de analisar os impactos, é importante discutir quais medidas serão fundamentais para garantir uma produção agrícola mais resiliente e promover sistemas agroalimentares mais sustentáveis, sempre tendo em vista os desafios da convivência com o semiárido e a geração de oportunidades, especialmente para as mulheres rurais.