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Produtoras rurais do interior sergipano adotam o uso de cadernetas agroecológicas

Instrumento econômico-pedagógico foi inserido pela Seagri para mulheres beneficiadas pelo projeto Dom Távora

28/01/2020

*Ednilson Barbosa

 

Pela primeira vez em Sergipe, grupos de mulheres apoiadas pelo projeto Dom Távora passam a ter acesso às “Cadernetas Agroecológicas”. Implantado em seis comunidades sergipanas, através da Secretaria de Estado da Agricultura Desenvolvimento Agrário e da Pesca – SEAGRI, o instrumento econômico-pedagógico vem sendo introduzido e aprimorado em diversos estados do Nordeste desde 2011. Realizada com recursos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola – FIDA, a inserção das cadernetas tem o objetivo de organizar, conhecer e dar visibilidade à contribuição de mulheres rurais para a economia familiar, a ecologia e segurança alimentar da sociedade.

As cadernetas foram inseridas em seis comunidades apoiadas com recursos do Projeto Dom Távora, através do FIDA: Cacimba Nova (Poço Verde); Ladeirinhas A (Japoatã); povoado São José (Poço Verde); povoado Caraíbas e comunidade quilombola Caraíbas (Canhoba); assentamento Padre Nestor (Pacatuba); e comunidade Quilombola Mocambo (Aquidabã). A equipe do projeto fez a entrega da ferramenta e sua instrução de uso, com o apoio técnico da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), por meio de seus escritórios regionais, e monitoramento do FIDA e do Programa Semear Internacional.

O secretário de Estado da Agricultura, André Bomfim, afirma que a implantação das cadernetas complementa o trabalho de sucesso do Governo de Sergipe junto às comunidades atendidas pelo projeto. “Essa importante cartilha incentivada pelo FIDA vem a complementar e fortalecer o foco do Projeto Dom Távora no trabalho com mulheres, comunidades tradicionais e jovens, que vêm recebendo apoio financeiro para incrementar as atividades produtivas no interior”, destacou. Para a equipe técnica da Emdagro, orientar as populações do campo para o uso das cadernetas é mais que assistência técnica. “Trata-se de um trabalho de extensão rural (processo de aprendizagem) no qual as produtoras vão utilizando as anotações para aperfeiçoar a sua autonomia produtiva”, afirmou.

Um grupo de mulheres da comunidade quilombola Caraíbas, no município de Canhoba, participou da oficina para aprender sobre o preenchimento da caderneta. A produtora rural Lucicleide dos Santos disse que ficou surpresa após começar o seu registro: “Ao anotar tudo na caderneta, percebi o valor financeiro de coisas que nem eu mesma tinha ideia, como os produtos que deixamos de comprar porque produzimos em nossos quintais”, afirmou. A liderança local, Xifroneze Santos, 42 anos, destacou uma dificuldade: “O maior desafio começa dentro de casa, quando o marido resiste em reconhecer a contribuição da mulher para a renda familiar”, revelou.

Segundo o coordenador de Desenvolvimento de Capacidades do Projeto Dom Távora, Manoel Messias, a proposta metodológica das cadernetas foge ao padrão econômico convencional, que apenas considera como ‘Economia’ a

s atividades que geram recursos monetários. “Boa    parte das atividades feitas pelas mulheres do campo é invisibilizada na perspectiva econômica tradicional. Já nesse novo entendimento, a partir das anotações das mulheres nas cadernetas, é possível valorar sua produção para o autoconsumo, a troca com vizinhas, doações para familiares e festas na comunidade, filhos que vivem na cidade e a produção para a venda”, detalhou Messias.