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Óleo de coco, arroz orgânico e culinária ancestral foram algumas das atividades visitadas por jovens no segundo dia de intercâmbio em Sergipe

No segundo dia de atividades do “I Intercâmbio em Ecogastronomia Slow Food para os jovens dos projetos FIDA no Brasil”, a comitiva seguiu em visitas a comunidades tradicionais que vivem na região da foz do Rio São Francisco. Eles conheceram experiências com a produção de alimentos a base de pescados, frutos do mar, mandioca e coco, dente elas, beneficiamento do óleo de coco, que é feito por comunidades remanescestes de quilombo localizadas às margens do rio. O Intercâmbio é uma realização do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), através do Programa Semear Internacional, em parceria com o Movimento Slow Food.

Ao todo, 25 jovens de comunidades rurais atendidas pelo FIDA em todo o Nordeste participam da programação que segue até o próximo dia 27, com atividades agora realizadas em Aracaju. São beneficiários de projetos nos estados do Piauí (Projeto Viva o Semiárido); Bahia (Projeto Pró Semiárido); Paraíba (Projeto Procase); Sergipe (Projeto Dom Távora); e Ceará (Projeto Paulo Freire).

Ainda no período da manhã, eles visitaram a comunidade do Bongue, no município de Ilha das Flores, e conversaram com outros jovens que estão desenvolvendo atividades na área do turismo rural na região. Foram abordados temas como dificuldades em desenvolver a atividade, e protagonismo da juventude em iniciativas focadas no desenvolvimento do turismo no âmbito da agricultura familiar.

“Eles puderam ver de perto como outros jovens estão trabalhando e protagonizando atividades tão especiais como esta do turismo rural.  Somente com este contato, podemos ver nascerem ainda mais jovens empreendedores e na zona rural do Brasil”, disse o oficial de Programas do FIDA para o Brasil, Leonardo Bichara.

Em seguida, eles visitaram o quilombo de Brejão dos Negros, e conversaram com os moradores sobre a relação do alimento que é produzido na região com os cultos das religiões de matriz africana que ocorrem na comunidade. A comitiva visitou o terreiro de candomblé que fica na sede do quilombo e acompanhou trechos de cânticos comuns nestas celebrações, degustando alimentos típicos como arroz doce e beiju.

“O mais interessante é que eles puderam ver esta relação do alimento com a religiosidade. Como um pode influenciar o outro e como ambos estão presentes entre si! A ideia é mostrar que o alimento não é só feito exclusivamente para ser comido! Ele fala muito de nossa cultura e de nossos costumes. O alimento nos representa”, disse a coordenadora do Slow Food Nordeste, Revecca Tapie

A programação foi encerrada com uma visita à comunidade ribeirinha e remanescente de quilombo, Resina. Eles puderam conhecer as técnicas de beneficiamento do óleo de coco que é feita pelos próprios moradores, além de degustar alimentos a base peixes e crustáceos pescados na hora. Eles também conheceram a produção de arroz orgânico, outra atividade que movimenta a economia local. “São informações importantíssimas que agora geram mais conhecimento que será disseminado as mais diferentes regiões do país”, disse a coordenadora do Semear Internacional, Fabiana Viterbo.

O Intercâmbio traz o tema “Valorização da agrobiodiversidade na gastronomia Slow Food no semiárido brasileiro”. A programação segue nos últimos dois dias em Aracaju, onde serão ministradas oficinas com técnicas desenvolvidas pelo chef Timóteo Domingos, idealizador do Projeto Gastrotinga e autor do livro “O Chef do Sertão”, com receitas como coxinha de cacto, pizza de palma, bolo de casca de abóbora, doce de folha de umbuzeiro. Já a chef Leila Carreiro, natural de Salvador, especialista na cozinha Patrimonial da Bahia, comandará uma oficina com receitas da cozinha regional, em especial do Recôncavo de matriz africana.

Os produtos utilizados na produção das receitas foram comprados em todas as visitas ocorridas nos dois primeiros dias de Intercâmbio no interior do estado.