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No Ceará, comunidades indígenas recebem apoio e participam de capacitações para melhorar atividades rurais na região

Nos sertões dos Inhamuns, várias famílias indígenas buscam desenvolver atividades rurais, lutando diariamente para preservar a cultura e a tradição dos seus antepassados. São os remanescentes e as remanescentes do povo Tabajara, uma etnia que habitou o litoral do nordeste brasileiro, mais exatamente, entre a foz do Rio Paraíba e a Ilha de Itamaracá, antes da chegada dos portugueses e migraram para a região.

Compreendendo a importância dessa luta e trazendo soluções para a demanda indígena, a assessoria técnica do Projeto Paulo Freire (PPF) realizada pela Cáritas Diocesana de Crateús (CÁRITAS), em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), estão capacitando famílias indígenas da aldeia Fidelis, em Quiterianópolis, Ceará,  com técnica de cultivo de alimentos, manejo de animais e outras soluções para o desenvolvimento de atividades econômicas.

Na aldeia, 72 famílias estão recebendo orientações para o fortalecimento das atividades de criação de suínos, ovinos e avicultura. A líder da comunidade, Eleniza Tabajara, explica que as instruções recebidas nas capacitações estão de acordo com os ensinamentos dos ancestrais da tribo. As novas técnicas têm objetivo de modernizar o cultivo, manejo de animais e garantir uma alimentação mais saudável a todos. “O conhecimento do povo Tabajara é passado de geração para geração. A gente aprendeu com os antigos a criar nosso rebanho solto, comendo de tudo. Mas agora nós aprendemos que essa atitude pode expor nossos bichos a doenças”, conta.

Atualmente, a aldeia produz apenas para o seu próprio sustento, mas a intenção da comunidade é começar a vender a produção para além da aldeia. Inicialmente, 35 famílias foram contempladas com suínos, ovinos e aves, totalizando 80 animais que irão se somar aos outros existentes na comunidade.

Também serão construídos dois centros de manejo, além da distribuição de raquetes de palma e sementes. Um investimento que ultrapassa os R$ 300 mil. “A consolidação dessas atividades além de garantir renda para a nossa comunidade, vai dar maior visibilidade à nossa comunidade e maior respeito à nossa cultura. Só temos que agradecer”, disse Eleniza Tabajara.

Projetando o desenvolvimento rural da região, a aldeia Fidelis ainda sonha em criar uma cooperativa, aproximando-se de outras comunidades Tabajara, fortalecendo de vez a cultura do seu povo.

Bioágua e bem-viver

 As capacitações na aldeia Fidelis estão deixando o quintal de Antonia Isabel de Oliveira mais verde. Ela foi beneficiária de um Bioágua Familiar, uma tecnologia que torna a água da lavagem de roupas, louças e do banho pronta para uso na irrigação de fruteiras e hortaliças. A água utilizada na casa passa por dutos e decantadores, e apesar de ter um aspecto turvo, devido aos resíduos de alimentos e produtos de limpeza, chega apropriada para regar pequenos canteiros de plantas.

Estima-se que esse líquido corresponda entre 50% e 80% o volume que seria desprezado para o esgoto residencial nos espaços urbanos. Graças a essa tecnologia, no quintal da dona Isabel, as frutas e hortaliças se desenvolvem muito bem. Um contraste se comparado com o passado, quando nem em sonhos era possível imaginar tanta abundância de água. “Para mim já mudou bastante, porque antes as minhas plantas chegavam a morrer de sede”, lembra. “Tinha dias que a gente não tinha água nem para tomar um banho, de tão difícil que era água aqui. Agora, depois que a gente conseguiu o bioágua tudo melhorou, nosso maior sonho era ter isso aqui: um quintalzinho verde e bonitinho”, comemora

Reportagem: Luiz Cláudio Moreira