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Missão africana conhece experiências técnicas de sucesso da SDA, no Ceará

Conhecer para se apropriar e reproduzir as experiências do Governo do Ceará no continente africano. Foi com esta visão que uma delegação africana desembarcou na tarde desta segunda-feira (10) na Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA). No auditório da Ematerce, os representantes de governos e da sociedade civil de Senegal, Níger e Burkina Faso assistiram apresentações do Programa de Cisternas e do Projeto Paulo Feire e debateram sobre a implantação das ações.

“A SDA possui um sistema integrado que se organiza através de suas coordenadorias e de três órgãos vinculados (Ematerce, Ceasa e Idace), tendo entre seus programas-âncora os projetos Paulo Freire e São José. Através deste arranjo institucional, as políticas são concebidas pelos técnicos da Secretaria e são executadas em parceria com a sociedade civil”, introduziu o secretário do Desenvolvimento Agrário De Assis Diniz.

Em relação ao Programa das Cisternas, o secretário esclareceu que a política pública teve origem numa campanha da Articulação do Semiárido (ASA Brasil), em defesa da implantação de um milhão de cisternas, e início durante o governo Lula. “O principal impacto desta política se torna visível ao se perceber que o Estado do Ceará atravessou sete anos consecutivos de seca sem que a população sofresse de sede”, justificou o trabalho da equipe da Coordenadoria de Projetos e Programas Especiais (Coppe/ SDA).

Segundo o balanço apresentado pela assessora técnica Gisely Castro, já foram implantadas 137.117 cisternas de placa de 16 mil litros e 509 cisternas escolares com capacidade de 52 mil litros. Além disso, a coordenadoria implantou 15.483 cisternas de enxurradas, 1.420 barragens subterrâneas e 287 sistemas de reuso d´água de cinzas domiciliares. O objetivo da tecnologia é garantir o acesso à água para consumo humano a comunidades rurais carentes.

Paulo Freire

“O outro projeto apresentado aqui, financiado com recursos de um empréstimo junto ao FIDA, dialoga com a vida e com a organização das famílias em comunidade”, sintetizou o secretário De Assis a cerca do Projeto Paulo Freire. A iniciativa prevê atender a 600 comunidades rurais com baixo Índice Desenvolvimento Humano (IDH) nas regiões dos Sertões do Cariri, Inhamuns-Crateús e Sobral, priorizando o público jovem, de mulheres, quilombolas, indígenas e pescadores artesanais.

De acordo com balanço apresentado pela supervisora do PPF, Odalea Severo, uma das conquistas do projeto é a implantação e o abastecimento d´água de 6.590 cisternas de placa, enxurrada e escolares. Além disso, já foram realizadas 600 oficinas e seminários de avaliação que envolveram um público de 21.575 participantes sobre temas como Convivência com o Semiárido, Agroecologia, Relações Sociais de Gênero, Juventudes e Raça e Etnia.

“O outro componente (projetos produtivos) visam dar condições para que os povos do semiárido atendidos pelo PFF produzam e gerem renda e, com isso, superem a vulnerabilidade social em que foram inscritos historicamente”, acrescentou a execução do Paulo Freire. A perspectiva é a implementação de 522 projetos produtivos nas áreas de apicultura, artesanato, corte e costura, culinária, galinha caipira, mandiocultura, ovinocaprinocultura, pesca artesanal, quintais produtivos, reuso d´água e suinocultura.

Compartilhamento

“A relação do Governo do Ceará com a sociedade civil do semiárido é uma referência para ASA Brasil. Nós queremos que todos os estados do semiárido possam avançar nessa relação, assim como o Ceará avançou”, asseverou a coordenadora executiva da ASA Brasil, Valquiria Lima. “Serão três dias de muitas experiências (para toda comitiva africana) e isso tudo é resultado da boa relação entre governo e sociedade civil, o que esperamos continuar por muitos e muitos anos”.

“Para nós, esse intercâmbio de agricultores e técnicos é muito importante. Acabamos de iniciar o programa de um milhão de cisternas (nos países africanos presentes) e a importância deste momento no Ceará é podermos replicar as experiências mais antigas num novo território”, saudou a representante da FAO, Camille Touzé, citando o calendário de visitas da comitiva africana em comunidades até a próxima sexta-feira (14).

Também participaram da apresentação das ações da SDA, o presidente da Ematerce, Antônio Amorim; e os coordenadores de Cadeias Produtivas da Pecuária, de Desenvolvimento Territorial e Desenvolvimento Agrário, Márcio Peixoto, Eduardo Barbosa e Castro Junior, respectivamente. Além destes, a coordenadora geral e a coordenadora técnica do Projeto Paulo Freire, Íris Tavares e Rocicleide Silva, e a coordenadora do Cetra, Cristina Nascimento.

Troca de experiências

Assim como no Brasil, em Burkina Faso o acesso à água potável é uma garantia constitucional e está previsto como um direito humano. Segundo o secretário-geral da Câmara de Agricultura do país, Bruno Kafando, os principais desafios são as formas de financiamento da política pública e a materialização desse direito através da perfuração de poços, sistemas adutores e estações de tratamento d´água.

“As experiências que estamos conhecendo aqui no Estado do Ceará são um acréscimo aos nossos conhecimentos, sobretudo em relação ao que desenvolvemos em comunidades mais isoladas”, reconhece. “Hoje, tivemos o primeiro contato essa realidade e pudemos conhecer como são articuladas essas políticas públicas através das iniciativas governamentais e a sociedade civil”, encerra.