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FIDA avalia positivamente o Viva o Semiárido, no Piauí, e fala em próxima fase do projeto

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) encerrou mais uma missão de supervisão no projeto Viva o Semiárido (PVSA), no Piauí. O trabalho teve como objetivo acompanhar os avanços e as dificuldades enfrentadas durante a execução do projeto. A missão iniciou dia 14 deste mês com visita a Planos de Investimentos Produtivos (PIPs) em vários municípios do semiárido piauiense, onde o Fida atua. Essa etapa foi realizada por oito consultores da agência, acompanhados por representantes da SDR e empresas prestadoras de assessoria técnica. Nesta semana, as atividades foram em Teresina, em agendas administrativas com a Fundação Cepro, Seduc, Seplan, SDR, Setre e Sefaz.

O diretor de Inclusão Produtiva da SDR, Francisco Ribeiro (Chicão), afirmou que foram visitados 12 projetos em 10 municípios do Piauí, sendo a maior missão Fida no estado. “Deu para ter uma boa visão dos trabalhos que estão sendo executados pelo PVSA e pudemos ver que atingimos mais de 50% de execução financeira e estamos próximos da execução física. Foi tratado também sobre o aditivo de R$ 20 milhões que está aprovado, aguardando apenas a tramitação no Brasil. Em resumo, a missão foi um sucesso”, enfatizou Chicão.

De acordo com Hardi Vieira, oficial de projetos do Fida no Brasil, a missão fez uma avaliação positiva da implementação do PVSA e acordou com o Estado fez ajustes importantes para trazer mais eficiência em sua execução. “As propostas de ajustes são referentes ao modelo de assessoria técnica sistemática contratada pelo Viva o Semiárido. Outro ponto tem a ver com a  aceleração da implementação e operação dos PIPs; que somam, até o momento, 140 planos aprovados e com expectativa de chegar a 178, fortalecendo cadeias produtivas chaves como a apicultura, cajucultura, ovinocaprinocultura e avicultura, gerando emprego e renda à população no semiárido do Piauí”, destacou Hardi.

Ainda segundo o oficial, outra recomendação foi trazer multidisciplinaridade aos planos de investimento abordando temas como a questão hídrica e horticultura, no âmbito dos quintais produtivos. “Também foram observados avanços com as co-executoras a exemplo da Seduc e, principalmente, a Setre, que está com edital de chamada pública para realização de 79 cursos em vários municípios abordando mais de 20 temas agrícolas e não agrícolas. Acreditamos que, com esses ajustes, o PVSA terá um grande sucesso em sua implementação e vai pavimentar o início do PVSA Mais, representando um aditivo de cerca de R$ 140 milhões. Estamos muito confiantes no êxito das operações do Viva o Semiárido que, seguramente, chegará ao seu fim em plena execução das atividades implementadas”, reforçou Vieira.

Missão se dividiu em quatro grupos e percorreu o semiárido do Piauí

A novidade dessa missão é que, pela primeira vez, contou com uma especialista em meio ambiente e mudança climática. Para o Fida, a participação desta consultoria foi de grande relevância, uma vez que o fundo internacional está começando a preparar o projeto Fundo Verde Global (GCF), que é um Fundo das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.

Hardi Vieira antecipou que o desenho desse projeto deve ser feito ainda este ano e todo o semiárido do nordeste brasileiro vai fazer parte da área de cobertura desta ação com ações de sistemas agroflorestais de acesso à água. O Piauí será contemplado e as ações devem ser executadas já em 2019.

O diretor de Inclusão Produtiva da SDR disse que a etapa de campo da missão de supervisão foi concluída com sucesso. “Visitamos vários planos de investimento apoiados pelo PVSA, além de cursos da educação contextualizada executados pela Seduc e que capacitam professores da zona rural. As equipes da SDR, Fida e prestadores de assistência técnica se dedicaram tanto à parte produtiva, quanto financeira e de prestação de contas. É muito importante receber a equipe desse fundo internacional para que vejam, na prática, o que está sendo executado e onde estão sendo aplicados os recursos do financiamento”, comentou Francisco Ribeiro.

Benefícios

Nailene Pereira Ferreira tem 59 anos e mora em uma comunidade a 45km do asfalto. Cresceu trabalhando na roça e achou que poderia melhorar a vida e de outras mulheres com algo, até então, desconhecido para todas elas. “Comecei a observar a dificuldade que eu e minhas colegas tínhamos de comercializar nossos produtos. A dificuldade era grande. Foi quando um dia montei numa bicicleta com um caderno e caneta debaixo do braço pegando o nome das mulheres que queriam formar uma associação junto comigo. Expliquei que seria bom pra gente, porque teríamos mais chance de crescimento, inclusive podendo ser beneficiadas por projetos como o Viva o Semiárido”, conta Nailene.

Em 2010, ela fundou a Associação de Mulheres da Serra do Inácio, em Betânia do Piauí, contemplada pelo PVSA com investimento de R$ 180 mil para fomentar a atividade de mandiocultura. “Agora vamos poder aumentar nosso negócio com a produção de bolinhos, tapioca, vender o cascalho, a rama da mandioca para alimentar os animais e ainda a farinha de vários tipos para atender o maior número de consumidores. Não vamos parar por aqui. Vamos fazer por onde crescermos mais e mais, também com o apoio do Fida”, enfatizou Pereira.