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É abacaxi para todos os lados

Em viagem a Teresina, uma equipe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) se reuniu com ativistas, especialistas e representantes do governo do Piauí para discutir como reduzir as desigualdades de gênero em comunidades rurais do semiárido.

O encontro ocorrido nos dias 14 e 15 deste mês fez parte das atividades do projeto Viva o Semiárido (PVSA), iniciativa da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural que tem apoio financeiro e técnico da agência da ONU. O objetivo da missão à capital do estado era a elaboração de um plano sobre gênero para o programa do FIDA e do governo.

“É um tema complexo, atravessa o projeto Viva o Semiárido em todas as suas facetas e é um componente fundamental para o desenvolvimento social, rural e sustentável. Não podemos pensar em um projeto como este sem alcançar as mulheres, sem atender às suas necessidades e demandas específicas”, explicou a consultora do Fundo, Rodica Weizman.

A especialista acrescentou que é necessário trabalhar com as mulheres do setor agrícola para garantir que “saiam da exclusão porque muitas vezes elas são deixadas à margem dos processos produtivos, não são reconhecidas, nem valorizadas, e mudar esta realidade é o nosso objetivo maior”.

A reunião em Teresina contou com ampla participação de empresas de assistência técnica sistemática, universidades e movimentos sociais que têm como pauta os direitos e inclusão das mulheres. Também participaram entidades que têm a pauta como relevante, a exemplo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAG), do Movimento de Pequenos Agricultores e do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste – PI.

Osvaldina Rosalina dos Santos é integrante da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Piauí. Ela participou da atividade e afirmou que o Viva o Semiárido, além de investir em planos de negócios, contribui para melhorar a autoestima das mulheres quilombolas.

“As mulheres quilombolas, existimos e resistimos a todos os desafios, tanto na base, como nos nossos quilombos, através de nossas iniciativas. Porém, ainda somos invisíveis. A gente acredita que esta missão veio nos ajudar, acima de tudo, a sair da posição de invisibilidade. Poderemos começar a investir naquilo que, para nós, ainda é sonho; que é um empreendimento nas nossas comunidades quilombolas, com a criação de galinha caipira, hortas comunitárias, a produção de sabonete de aroeira, dentre outros”, disse a ativista.

Ela lembrou que a palavra “empoderamento” tem uma dimensão importante para as quilombolas. “Engloba a nossa participação na agricultura familiar, nas questões financeiras, no empreendedorismo, mas também na política. Na verdade, às vezes, nem nós mesmas valorizamos este grande potencial que temos tanto na militância, como no poder de assumir chefias administrativas e também familiares”, ressaltou.

Segundo a diretora técnica do projeto Viva o Semiárido, Lúcia Araújo, os encontros foram extremamente positivos por pautar uma das prioridades do PVSA, que é a participação das mulheres. “Realizamos a missão de gênero, estrategicamente, anterior à missão FIDA de aditivo, a ser realizada de 21 de agosto a 1º de setembro, em Teresina, pois apresentaremos, a partir da próxima semana, o que foi tratado na missão de gênero. Fizemos uma boa discussão, desenhou-se o que se quer, o que se desafia a fazer quando se tratar das questões da participação feminina no PVSA”, afirmou.