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ARTIGO – O protagonismo das mulheres agricultoras familiares no Projeto Paulo Freire

Francisca Rocicleide Ferreira da Silva[1]

Francisca Maria Rodrigues Sena[2]

Maria Odalea de Souza Severo[3]

 “Não é só porque sou mulher que tenho que ser desvalorizada, a mulher tem o direito de ser quem ela quer, fazer o que quiser, vestir o que quiser e andar onde quiser sem ser desvalorizada.” Thiara de Souza, jovem agricultora beneficiária do PPF na comunidade Santa Luzia, em Sobral.

O mês de março é um momento para refletirmos a presença e a condição das mulheres na sociedade. No dia 8 de março comemora-se o dia internacional da Mulher, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) traz um balanço das ações desenvolvidas pelo Projeto Paulo Freire onde a presença feminina  é substantiva.

O PPF hoje atua com um conjunto 23.570 famílias com assessoria técnica continua e ou, financiamento para o desenvolvimento de atividades nas unidades familiares. Desse público total do projeto, as mulheres são 60,44 %, entre as participantes com apoio financeiro para executar projetos produtivos  estas correspondem a 70,64 % .

No que se refere aos projetos produtivos que estão em execução nas comunidades rurais atendidas pelo Paulo Freire, às mulheres atuam diretamente nas atividades produtivas sendo 46% na avicultura, 22% em reuso d´água de cinzas domiciliares, 17% em quintais produtivos, 16% suinocultura, 13% em ovinocaprinocultura e 12% com biodigestores. Além de outras atividades com artesanato, pesca e desenvolvimento de outras  tecnologias sociais.

“A criação de animais domésticos no semiárido brasileiro, em especial a atividade da avicultura, faz parte de um imaginário que dialoga diretamente com o ambiente laboral das mulheres”, analisa Íris. “O quintal, ou terreiro da casa, é o universo em que se materializa um conjunto de práticas que envolvem diretamente o cuidado, a qualidade e o interesse das mulheres no que pode significar maior rendimento econômico para a família”. Iris Tavares

 As ações visam o Empoderamento das mulheres em relação aos direitos civis, direitos econômicos e sociais nas comunidades contribuindo efetivamente para o protagonismo feminino nos espaços onde vivem e convivem. A autonomia econômica e a melhorias das condições de vida são ferramentas de superação das desigualdades de gênero presente nos territórios do projeto e na sociedade. Além da implantação de projetos produtivos, as beneficiárias do Paulo Freire participam seminários, oficinas, intercâmbios e são estimuladas a participarem ativamente das associações comunitárias e sindicatos rurais, dentre outras formas de organização social.

Violência contra a mulher

Uma dura realidade que ainda marca a vida das mulheres do campo é a violência. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, contratado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que mais de 500 mulheres são agredidas a cada hora. Somente entre mulheres com idade acima de 16 anos, 16 milhões de já sofreram algum tipo de violência: 3% ao se divertir num bar, 8% no trabalho, 8% na internet, 29% na rua e, o mais impressionante, 42% dentro da própria casa.

Uma peculiaridade do ambiente rural é que a maioria das mulheres não tem acesso a esta rede de atendimento: seja pela longa distância de suas casas, pela desinformação, ou mesmo por não identificar as situações que enfrentam no dia-a-dia. Diante de casos como esses, as equipes técnicas tem atuado assegurando o atendimento às vítimas de violência tenham atendimento psicológico e social.

 “O Governo do Ceará tem compromisso firmado com as minorias sociais e com a superação da pobreza e o Projeto Paulo Freire é prova disso. Da mesma maneira como acontece na cidade, o campo também é um espaço onde a dominação masculina ainda funciona sob a lógica dos poderes. Poderes que são exercidos na esfera do lar, como também na esfera econômica e na divisão de tarefas no trabalho rural”. Secretário do Desenvolvimento Agrário – De Assis Diniz.

 

[1] Coordenadora Técnica do Projeto Paulo Freire

[2] Especialista em Gênero do Projeto Paulo Freire

[3] Supervisora do Componente Desenvolvimento de Capacidades