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B Boas Práticas na Convivência com o Semiárido

Produção Agroecológica
Sistemas Agroflorestais na Paraíba aumentam qualidade nutricional da alimentação de agricultores e biodiversidade na região semiárida

O Projeto se destaca entre os demais apoiados pelo FIDA no Brasil por contar, em seu organograma, um componente criado para trabalhar exclusivamente com questões ambientais. Através dele, várias ações foram sendo implementadas, ao longo de sua execução, com uma série de trabalhos focados no desenvolvimento sustentável, segurança hídrica e alimentar.

Uma destas atividades são os Sistemas Agroflorestais (SAF’s), um modelo de produção agropecuária que combina espécies frutíferas e/ou madeireiras, com cultivos agrícolas e/ou criação de animais, de forma simultânea ou em sequência temporal e que promovem benefícios econômicos e ecológicos.

Os benefícios deste modelo de produção estão diretamente ligados a conservação dos recursos naturais e a convivência com o semiárido. Uma dos pilares deste trabalho é a proteção do solo com matéria orgânica, o que garante a fertilidade e disponibilidade dos nutrientes; e a umidade do solo, o que reduz o gasto de água.

Devido a um rigoroso período de seca que parte do estado vinha enfrentando, uma politica pública voltada a segurança hídrica dos moradores da comunidade buscando garantir, ainda agua e alimentação de suas criações, foi instaurado o Plano Emergencial, que, com o apoio do Exército Brasileiro, foram perfurados centenas de poços em todos os territórios de atuação do projeto. Paralelo a estas perfurações, os moradores receberam raquetes de palma e sistemas de irrigação necessários para determinadas áreas de suas propriedades.

Com a intenção de associar aos campos de palma coletivos instalados pelo Plano Emergencial, utilizando do mesmo sistema de irrigação instalado, e otimizando seu desenvolvimento e garantindo a produção agrícola, o Procase começou a identificar áreas e comunidades que pudessem receber as primeiras experiências em SAF’s que surgissem, chamando este trabalho inicial de Unidades de Aprendizagem.

As Unidades foram instaladas com o auxílio dos consultores do projeto em áreas demarcadas dentro das comunidades beneficiárias. Os agricultores e agricultoras começaram a passar por capacitações sobre o assunto e iniciaram o trabalho em campo.

Já foram implantados 31 SAF’s com uma dimensão média de 0,5 hectare, totalizando o plantio de 20.000 mudas em todo o estado, beneficiando diretamente 345 pessoas, entre elas 112 mulheres (32,46%). As mudanças foram percebidas logo na implantação. A diversidade de culturas que se aplicam em um mesmo espaço é maior, auxiliando na segurança alimentar e na diversificação de produtos comercializados.

As famílias que receberam os Sistemas e impulsionaram os cultivos começaram a ter diversos tipos de culturas que resultaram numa maior diversidade de alimentos agroecológicos dentro de casa, e excedente sendo vendido em feiras livres da região, impactando diretamente na renda de todas elas.

Com estas implantações, o Procase proporcionou uma mudança de paradigma quanto ao modo de cultivar e de conviver com o meio ambiente, deixando de lado o modelo simplista de produção – direcionado ao monocultivo e o uso de defensivo – para um modelo complexo – onde se fomenta a produção em consórcio e os organismos considerados pragas são na verdade agentes contínuos de transformação.

A implantação de sistemas agroflorestais permitiu o aumento de produtividade animal por bem-estar, e qualidade nutricional das pastagens, favorecendo a biodiversidade de forma geral.

Dentro da perspectiva socioeconômica, o Sistema permitiu uma redução drástica de insumos e defensivos agrícolas – principais custos de produção – pois as relações ecológicas harmônicas que se geram, reduzem o surgimento de pragas e carências nutricionais. Ganha o produtor, que além de ter menores despesas, consegue agregar maior valor aos seus produtos.