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B Boas Práticas na Convivência com o Semiárido

Organização Comunitária
Artesanato com manejo sustentável
O que é

Natureza que se transforma em arte, numa relação harmoniosa e sustentável. É assim com a produção artesanal à base de palha de licuri e madeira caída de umburana na zona rural de Santa Brígida, Semiárido da Bahia.

Lá, os integrantes da Associação de Artesãos de Santa Brígida (AASB) confeccionam cestas, mandalas, porta-jóias, bolsas, descansos de panela, jogos-americanos, esculturas, entre outras variedades.

Além da geração de renda e do fortalecimento da cultura local, o artesanato vem contribuindo para aumentar a consciência ambiental de artesãs e artesãos, que já perceberam a necessidade de fazer o manejo correto do licurizeiro e da umburana para preservar a matéria-prima da arte que produzem.

E, para aumentar a produção e a capacidade de responder às demandas do mercado, o grupo de Santa Brígida uniu-se aos artesãos dos povoados de Serra Branca (do município de Euclides da Cunha) e Chuquê (em Jeremoabo) para formar o Polo da Palha do Licuri, iniciativa estimulada pela Associação Movimento João de Barro (MJB).

Mais gente trabalhando é mais gente preservando. Assim, o artesanato cresce de mãos dadas com a natureza.

Municípios Atendidos




Experimentador
Associação de Artesãos de Santa Brígida (AASB)

A Associação de Artesãos de Santa Brígida (AASB) foi criada, em 2011, para fortalecer a produção e a comercialização do artesanato feito a partir da palha de licuri e da madeira de umburana, valorizando o trabalho de artesãs e artesãos.

Fale com o Experimentador

Associação de Artesãos de Santa Brígida (AASB)
(75) 988-41-4168 ou
(75) 988-31-0850 (contato de José Valdo Rosa)

Informações sobre a experiência

Com sua atuação, e estimulada pelo Movimento João de Barro, a AASB ultrapassa as fronteiras locais: contribui também para o desenvolvimento do Polo da Palha do Licuri, que reúne comunidades de artesanato dos municípios de Santa Brígida (Morada Velha), Jeremoabo (Chuquê) e Euclides da Cunha (Serra Branca), todos no Semiárido baiano.

A Associação vende suas produções de forma independente e, também, de forma associada. Atualmente, são cerca de 20 artesãs e artesãos.

Os integrantes da experiência são também agricultoras e agricultores familiares. Eles criam animais como galinhas e porcos e, alguns, trabalham como prestadores de serviços em geral.

Por meio da produção de sua arte, a AASB revela os traços da identidade local e a força do ofício, tradicional na região. “Quando alguém compra uma peça nossa, tá levando junto a cultura daqui”, afirma José Valdo Rosa, o Zé Valdo, que faz parte da Associação.

Como funciona a experiência

A experiência dos artesãos de Santa Brígida, revela aprendizados em diferentes domensões. Veja só!

Gestão associativa

Compartilhar para somar! As artesãs e os artesãos da Associação de Artesãos de Santa Brígida (AASB) estão aprendendo que para o trabalho coletivo funcionar é preciso compartilhar as informações e assegurar uma produção de qualidade.

Na sede da AASB, estão pastas com documentos que mostram a relação das encomendas, os negócios fechados, o balanço mensal, as atas das reuniões e outros pontos que dizem respeito ao andamento do negócio, para que eles possam ser acessados por todos os associados.

As reuniões com os integrantes ocorrem uma vez por mês e o número de encontros depende da demanda por encomendas. Isso ajuda na divisão do trabalho e na organização da linha produtiva.

Os artesãos trabalham para formar um estoque maior e, assim, poderem participar de mais feiras e grandes eventos.

Além de história, responsabilidade ambiental e tradição, os produtos têm um acabamento diferenciado. Isto porque a AASB e os demais grupos que integram o Polo da Palha do Licuri passaram por uma capacitação em Design Social promovida pelo Movimento João de Barro em parceria com a empresa Overbrand.

Manejo sustentável da palha de licuri

Um plano de manejo de licuri foi elaborado pelo grupo produtivo de Morada Velha, em Santa Brígida, e está servindo de inspiração para o desenvolvimento do plano de manejo em Chuquê, em Jeremoabo, e em Serra Branca, no município de Euclides da Cunha.

A prática é fundamental para conservar a Caatinga e garantir sustentabilidade ao processo. É possível encontrar palha disponível o ano todo, mas a plantação acontece a partir de um rodízio entre as comunidades.

A cada três meses, agricultores fazem a extração da palha. O mesmo pé pode ser cortado somente três vezes a cada ano.

Na hora da retirada da palha, todo cuidado é pouco. A única parte da palmeira que pode ser utilizada é a que fica mais perto do centro dela, chamada de “olho”. Se a extração for feita de forma errada, o pé de licuri pode morrer.

Palha em mãos, é hora de separar a fibra boa para o uso e, então, tingir, quando necessário. O tingimento é feito a partir de plantas e sementes (trituradas) da Caatinga, a exemplo do urucum, do açafrão e do algodão. Vem tudo da natureza!

“Pra pegar melhor a cor, as folhas devem ficar embaixo e a palha em cima, se não a tinta não pega direito, fica só em alguns pedaços”, explica a artesã Dona Lourdes. Após a fervura, retira-se a palha e a coloca para secar “de um dia para o outro”.

Implementar

Para colocar a ideia em prática, é importante ter mão de obra com tempo disponível para produzir. Tem sido necessário também, no caso da AASB, manter e fortalecer o manejo sustentável da palha de licuri. Sem ele, o licurizeiro pode ser extinto na região.

Além de criatividade e dedicação, recomenda-se elementos de trabalho. São poucos e simples: tiradores, com lâminas de ferro da construção civil, que, no caso da Associação, são fabricados pelos próprios artesãos, agulhas para tecer e folhas e sementes que são utilizadas no processo de tingimento.

São necessários telefone, internet e recursos para cobrir as despesas referentes aos deslocamentos dos artesãos no caso de encontros de intercâmbio, participação em feiras e outros eventos. Investimentos em transporte, alimentação e hospedagens de pessoas que se deslocam entre os municípios também são importantes.

Armazenar as peças de forma adequada, longe de poeira e de lugares úmidos, é a principal dica para cuidar do que é produzido.

Entre os desafios, o de atender grandes encomendas e conseguir recursos financeiros para participar de feiras e eventos que podem contribuir para o escoamento da produção.

A adesão de jovens é apontada como algo importante, que pode avançar.

Adiantou de quê?

O trabalho coletivo tem dado resultado e as artesãs e os artesãos já conseguem ver melhorias: aumento da renda, maior capacidade de organização e articulação comunitária, elevação da autoestima e valorização e reconhecimento dos saberes locais.

Com a ajuda da renda vinda do artesanato, muitas famílias conseguiram reformar casas, comprar eletrodomésticos e melhorar as condições de vida.

Além disso, o trabalho com o artesanato contribui para tornar os envolvidos mais conscientes sobre a importância do manejo ambiental correto.

Protegendo as fontes de matéria-prima, se conserva a Caatinga. Um exemplo disso é a arara-azul-de-lear, espécie rara no mundo, que se alimenta dos coquinhos de licuri.

Desenrolar da História

E haja palha! Que os licurizeiros continuem sendo conservados para que os trançados não parem! Pelo menos, essa é o desejo da Associação de Artesãos de Santa Brígida, comprometida em valorizar o trabalho de artesãs e artesãos, fortalecendo esse ofício que atravessa gerações.

Para isso, um dos caminhos é o compartilhamento de saberes. Os artesãos de comunidades de Jeremoabo e Euclides da Cunha aprenderam sobre manejo sustentável da palha de licuri a partir do contato e da troca de conhecimentos com os artesãos da Associação de Santa Brígida.

O I Seminário do Polo da Palha do Licuri, viabilizado por meio de parceria com o Programa Semear (FIDA/IICA/AECID) e com a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado da Bahia (SETRE), em novembro de 2015, é tido como o marco da criação do Polo.

O Polo tem ajudado a ampliar a mão de obra para a produção e também provocou um aumento na demanda produtiva e na ampliação de parcerias e articulações para melhorar o escoamento e a comercialização da produção.

Diferentes parcerias dão força à iniciativa:

Os grupos que integram o Polo da Palha do Licuri fizeram cursos de capacitação em Design Social pela Overbrand, parceira do Movimento João de Barro, responsável pelo apoio técnico às associações.

A Overbrand também apoiou a padronagem e o design dos produtos, bem como a criação das peças gráficas para divulgação.

O Sebrae contribuiu com capacitações.

Quem apoia

Esta experiência conta com o apoio técnico da Associação Movimento João de Barro (MJB), organização da sociedade civil com sede em Salvador, Bahia.

Contato:

Movimento João de Barro (MJB)
(71) 9 8819-3283

http://www.movimentojoaodebarro.org.br/

contato@mjb.org.br