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B Boas Práticas na Convivência com o Semiárido

Criação Animal
Alimentação animal – Fenação
O que é

Com chuva ou sem chuva, Cícero Justiano de Souza tem alimento nutritivo para dar ao rebanho na região onde vive, no Sítio Barra, no município de Remanso, no Semiárido baiano.

Isso é possível porque ele combina as técnicas de fenação e ensilagem para a criação de um banco de ração animal. O diferencial, entretanto, é o planejamento. É planejando, por exemplo, que consegue estocar ração por até seis meses de estiagem.

O plano tem dado certo. A partir de forrageiras resistentes à estiagem, Cícero abastece o banco para as 80 cabras e 30 ovelhas que vivem nas suas terras e nas da Associação de Fundo de Pasto, da qual é presidente.

Mais do que secar e armazenar a forragem para gerar alimento para o rebanho, essa experiência mostra a importância do planejamento, do cuidado com a terra e da integração com outras boas práticas para o fortalecimento da convivência com o Semiárido.

Municípios Atendidos




Experimentador
João Cícero Justiniano de Souza, o Cícero da Barra

O agricultor João Cícero Justiniano de Souza cultiva um sonho que revela muito sobre como busca viver: quer ser conhecido como “Cícero, o reflorestador”.

 

Fale com o Experimentador

João Cícero Justiniano de Souza, o Cícero da Barra
(74) 999-64-1178

Informações sobre a experiência

A vontade de aprender cada vez mais leva Cícero longe! O agricultor costuma viajar bastante para intercâmbios entre agricultores para conhecer e saber mais sobre inovações que podem melhorar a vida no campo.

De tanto que experimenta, ele recebe em sua propriedade visitantes interessados em saber a respeito de suas boas práticas.

Cícero é presidente da Associação de Fundo de Pasto dos Pequenos Produtores do Sítio Barra e faz parte do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso e da Comissão da Articulação no Semiárido Brasileiro/ASA Municipal de Remanso.

Além de ser agricultor experimentador, ele é também pedreiro de cisterna e vive na zona rural de Remanso, no Sítio Barra, no Semiárido baiano.

Como funciona a experiência

Sem alimento o rebanho não para em pé. Sendo assim, é preciso pensar em estratégias para alimentar os animais no Semiárido. Seu Cícero achou um caminho.

A fenação, uma das técnicas usadas por Cícero, é o processo de secar e armazenar a forragem e é muito simples de fazer.

Ele começa a dar ração a partir do mês de agosto e solta o rebanho na Caatinga de novo em outubro, quando a chuva volta a cair na região onde ele vive.

Se a água demorar, ele tem ração estocada para até seis meses de estiagem, já que mantém o banco de ração a partir de um planejamento que permite ter essa vantagem.

A produção do feno é à base de gliricídia, leucena, sabiá, maniçoba, mandioca e outras plantas do Semiárido.

Dificuldade mesmo Cícero encontra para manter tudo o que faz na propriedade. O trabalho é de domingo a domingo, na companhia da esposa Dona Francisca.

É preciso encontrar tempo, também, para trabalhar fora como pedreiro de cisterna, o que ajuda a aumentar a renda.

Implementar

Maõs à obra! Ou melhor, mãos na terra! É no contato com ela que tem início a criação do banco de ração de Cícero. Acompanhe o passo a passo da fenação:

1ª passo: Seu Cícero começa o plantio das forrageiras perto do período da chuva que, na região de Remanso, onde mora, é de outubro a janeiro.

2º passo: seis meses depois, é hora do primeiro corte. Passando mais três meses, corta de novo.

3º passo: hora de triturar na máquina forrageira. A mesma máquina tritura a forragem que vai virar feno ou silagem.

4º passo: depois de triturada, Seu Cícero espalha a forragem em cima de um terreiro de cimento, onde deixa secar no tempo. É preciso proteger o espaço da chuva e de enxurrada.

5º passo: assim que a forragem secar completamente, ela já pode ser chamada de feno. Nesta etapa, Seu Cícero coloca tudo em sacos plásticos ou de náilon e fecha bem fechadinho, tirando todo o ar. Dura até três anos assim.

Outra opção para fazer o feno é usar somente o capim ou o milho.

Neste caso, não é preciso triturar as folhas. Basta espalhar no terreiro e, quando a palha estiver seca, armazenar fora de sacos, empilhada.

Adiantou de quê?

A forma de ver a realidade não é mais a mesma: “O que muda é que a gente agora tem uma consciência de que a gente vive melhor, sem muita dificuldade. Se não tivesse acordado para isso, estaria vivendo pior com a seca que a gente enfrenta”, diz Cícero.

Há que se dizer também que essa experiência tem contribuído para fortalecer a convivência com o Semiárido e melhorar as condições de vida na propriedade onde mora.

A iniciativa integra o rol de boas práticas desenvolvidas por Cícero: além de armazenar alimentos para os animais, ele tem várias fontes de captação e armazenamento de água, produz seus próprios alimentos e ainda se preocupa com a Caatinga, sempre reflorestando com plantas nativas ou adaptadas ao clima.

Uma boa prática vai puxando a outra.

O trabalho é muito, mas é grande também a alegria em reconhecer as conquistas que brotam da terra e a mantém viva!

Desenrolar da História

O agricultor lembra que na época de seus pais, os animais só se alimentavam de palma, capim ou das plantas verdes da Caatinga.

Foi buscando conhecimentos que ele descobriu o processo de fenação.

Curioso que é, Cícero, sempre que pode, participa de iniciativas para aprender e trocar experiências. Foi assim em 1997, quando participou de um curso de formação de agricultores para a convivência com o Semiárido, promovido pelo Instituto Regional de Agropecuária Apropriada (IRPAA).

Lá conheceu diferentes plantas apropriadas para o cultivo na região e aprendeu a fazer o feno e o silo.

O curso passou, mas os saberes ficaram. Hoje ele mantém um riquíssimo banco de proteínas com gliricídia, leucena, sabiá, maniçoba, mandioca, entre outras, como forma de garantir uma alimentação nutritiva aos animais.

“Eu sempre digo que até 1997 eu tinha o pensamento de esperar pelo tempo, mas através da formação do IRPAA, eu conheci as plantas forrageiras, como cuidar da roça, não queimar o restante das culturas e estou sempre tentando aprender mais para conviver melhor com a seca”, frisa.

Cícero é também presidente da Associação de Fundo de Pasto dos Pequenos Produtores do Sítio Barra.

Os fundos de pasto reforçam a ideia de um modo tradicional de viver, indo além de um sistema produtivo. Eles traduzem o “nosso jeito de viver o sertão”.

Para seu funcionamento, há um arranjo interno de regras, construídas nas relações de parentesco, compadrio e vizinhança. Elas são pautadas por solidariedade, ajuda mútua e tomada de decisão coletiva sobre questões relacionadas ao acesso à terra e uso dos recursos naturais.

As comunidades de fundo de pasto representam um sistema de uso entre áreas de apropriação privada com áreas de uso comum e possuem maior grau de preservação da vegetação nativa. Por lá, os animais são criados soltos.

Cícero desenvolve também outras boas práticas. Toda a infraestrutura de captação e armazenamento de água na propriedade onde vive, por exemplo, foi construída por ele.

Tem cisterna, barreiro, sistema de irrigação e cacimba de minação, que é uma espécie de poço de água subterrânea.

Ele também cria abelhas. O mel é utilizado para consumo da família e comercialização.

Tamanha prosperidade tem razão de ser: Cícero sempre busca aprender mais e mais!

Quem apoia

Esta experiência conta com o apoio do Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso.

Contatos:

Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP)
(74) 3535-1548 / 0093

http://www.sasop.org.br

sasop@sasop.org.br

Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)
(74) 3611-6481

http://www.irpaa.org

irpaa@irpaa.org